5 curiosidades sobre Clarice Lispector

Clarice Lispector é considerada uma das mais importantes escritoras do século 20. Conheça 5 curiosidades sobre a autora de “A Hora da Estrela”

A primeira vez que li “Perto do Coração Selvagem”, senti o peito pular mais forte. Daquele instante em diante estaria fadada a devorar toda a obra de Clarice Lispector.

Mas foi só quando tive que ler “A Hora da Estrela” que, finalmente, admiti a paixão avassaladora para o mundo.

Durante muitos anos indiquei a obra como uma das minhas preferidas. Não entrava no topo da lista porque, como vocês já sabem, este lugar é de “Dom Casmurro”, de Machado de Assis.

Mas o livro se encontra, com certeza, no meu TOP 5 livros que marcaram minha vida.

Como não se apaixonar por Macabéa? Uma moça tão pobre, tão pobre que só come cachorro-quente.

Hoje trouxe 5 curiosidades sobre Clarice Lispector.

clarice

A Hora da Estrela

Você sabia que este foi o último livro publicado em vida por Clarice Lispector?

“A Hora da Estrela” foi escrito à mão em vários papéis picados. O texto foi organizado pela datilógrafa de Clarice, Olga Borelli.

Clarice foi internada logo depois do lançamento da obra por causa de câncer no ovário e faleceu no dia 9 de dezembro de 1977 , um dia antes de completar 57 anos e menos de dois meses depois de lançar um dos seus livros mais famosos.

Única entrevista

Durante toda a carreira, Clarice deu uma única entrevista televisionada.

É um registro histórico muito interessante para quem tem curiosidade de conhecer o pensamento da escritora sobre a própria obra.

Naquele momento ela havia acabado de terminar “A Hora da Estrela” e diz que a história é de uma nordestina tão pobre, tão pobre, que só come cachorro-quente.

A entrevista aconteceu em fevereiro de 1977 e foi cedida ao repórter Júlio Lerner da TV Cultura.

O interessante é que a entrevista foi realizada em fevereiro, mas só foi divulgada dez meses depois da morte da escritora, que aconteceu em dezembro daquele ano.

O motivo? Foi a própria Clarice que fez este pedido como condição para dar a entrevista.

Assista abaixo:

Perto do Coração Selvagem

perto do coração selvagem

“Perto do Coração Selvagem” foi o primeiro livro de Clarice Lispector, publicado quando ela tinha 24 anos, em 1943.

A obra teve uma ótima recepção da crítica que abriu os olhos para este novo talento que surgia na literatura nacional.

Logo, a escrita de Clarice foi comparada a de Virginia Woolf por causa do uso de elipses e fluxo de consciência, artificio em que o narrador se deixa levar pelos pensamentos, escrevendo livremente e convidando o leitor a conhecer o personagem mais profundamente, escancarando suas reflexões.

Só que na época Clarice disse que nunca tinha lido Virginia Woolf antes de escrever “Perto do Coração Selvagem”.

Quando o livro foi publicado na França, foi ninguém mais, ninguém menos que Henri Matisse quem ilustrou a capa da obra.

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Tradutora

Poucos sabem, mas além de escritora, Clarice trabalhou muitos anos como tradutora para a Editora Artenova.

Aliás, Clarice começou a trabalhar traduzindo grandes obras estrangeiras dois anos antes de lançar “Perto do Coração Selvagem”, em 1943.

É ela a responsável por traduzir para o português obras de escritores como Oscar Wilde, Agatha Christie, Anne Rice e Edgar Allan Poe.

Sobre a profissão ela disse: “Traduzir pode correr o risco de não parar nunca”.

Restaurante Preferido

O restaurante preferido de Clarice Lispector era o La Fiorentina, localizado no Rio de Janeiro. Ali na Avenida Atlântica, 458.

Este restaurante era ponto de encontro de grandes intelectuais.

A escritora Nélida Piñon revelou na biografia de Clarice que era este o restaurante preferido da amiga.

Ela costumava ir todos os sábados e comia o supremo de frango com batata grisette.

Mas às vezes também se rendia a uma boa pizza do cardápio.

As companheiras fiéis do passeio eram as amigas Nélida Piñon, Rosa Cass e Maria Bonomi.

 

 

Denise Godinho

Meu nome é Denise Godinho. Decidi aprender a cozinhar e, para a empreitada ser mais interessante, vou fazer as receitas que estão escondidas dentro dos livros. E, acredite, são muitas!

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