As Madeleines de Proust

Ao molhar uma Madeleine numa xícara de chá e levá-la até a boca, Proust se deixou levar pelas memórias da infância. Saiba mais sobre as Madeleines de Proust.

Você com certeza já viveu aquela experiência um tanto sobrenatural de entrar num elevador, sentir o cheiro do perfume de um amor do passado e ser transportado para um emaranhado de memórias de outrora. Isso me lembra uma citação de Lygia Fagundes Telles: “O olfato tem uma memória memorável”.

Este gatilho provocado pelo olfato foi chamado de “Memórias Involuntárias” por Marcel Proust.

Contudo, não é só de cheiros que se fazem lembranças. Sentir aquele gosto especial do doce da avó, aquele pastel que você comia na porta da escola, aquela sobremesa que alguém fez especialmente para você… O gosto também nos leva numa viagem no tempo.

E é por isso que hoje vou falar sobre as Madeleines de Proust.

proust

Marcel Proust foi um escritor francês conhecido por trazer à tona discussões sobre a homossexualidade em pleno início do século 20.

Sua obra “Em Busca do Tempo Perdido” é dividida em sete livros. Proust foi um dos primeiros autores a usar o olfato e o paladar como gatilho de memória. Ele disse certa vez que foi de uma tarde num café, ao molhar uma madeleine na xícara de chá e levá-la até a boca, que surgiu a ideia dos livros.

A obra foi publicada entre 1913 e 1927. Toda a história é contada através de memórias. Memórias invocadas assim que o protagonista prova o doce francês com chá. Então ele é levado de volta para sua infância em Combray, quando provava as madeleines feitas por sua tia.

Um dia inverno, ao voltar para casa, vendo minha mãe que eu tinha frio, ofereceu-me chá, coisa que era contra os meus hábitos. A princípio recusei, mas, não sei por que, terminei aceitando. Ela mandou buscar um desses bolinhos pequenos e cheios chamados madaleines (…)
No mesmo instante em que aquele gole, envolto com as migalhas do bolo, tocou o meu paladar, estremeci, atento ao que se passava de extraordinário em mim. Invadira-me um prazer delicioso, isolado, sem noção da sua causa. Esse prazer logo me tornara indiferente as vicissitudes da vida, inofensivos os seus desastres, ilusória a sua brevidade, tal como o faz o amor, enchendo-me de uma preciosa essência: ou antes, essa essência não estava em mim; era eu mesmo.

Tai uma coisa maluca. A visão não tem este poder. Constantemente vemos as coisas, mas não conseguimos assimilar o tanto de conteúdo que uma fatia de bolo ou um frasco de perfume pode carregar. Mas ao levar a fatia de bolo à boca ou o perfume ao nariz é que somos atingidos em cheio. Por lembranças boas ou ruins. Isso não é incrível?

Mas, vamos ao que interessa! Aprenda a fazer as Madeleines de Proust!


 

 1machado

Madeleines
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Ingredientes
  1. 3 ovos
  2. 1 colher chá de essência de baunilha
  3. 1/2 xícara de açúcar
  4. 120 g de farinha de trigo
  5. 1/4 colher chá de fermento químico em pó
  6. 100 g de manteiga derretida
  7. 1 pitada de sal
Modo de Preparo
  1. Numa tigela junte os ovos, o açúcar e a essência de baunilha. Misture com delicadeza até que fique um creme branco.
  2. Peneire a farinha e o fermento juntos e acrescente-os aos poucos na mistura de ovos. Mexa até que esteja bem incorporado.
  3. Deixe esta mistura na geladeira por uma hora.
  4. Em seguida, preaqueça o forno em temperatura alta.
  5. Coloque a massa em forminhas para madeleines.
  6. Leve ao forno e asse em temperatura alta por um minuto. Em seguida, passe para temperatura média e asse por mais cinco minutos. Depois asse por mais cinco minutos em temperatura baixa.
Dicas
  1. Sirva com chá, assim como Proust o fez.
Capitu vem para o jantar http://capituvemparaojantar.com/

 Foi bastante complicado encontrar as formas de madeleines. No fim achei nas Lojas Americanas uma opção para fazer mini madeleines. A forma é de silicone e bem fácil de ser usada. Se você se interessar, clique aqui. 

As bolachinhas ficam bem leves e são ideias para um lanche da tarde. Espero que você goste!

Denise Godinho

Meu nome é Denise Godinho. Decidi aprender a cozinhar e, para a empreitada ser mais interessante, vou fazer as receitas que estão escondidas dentro dos livros. E, acredite, são muitas!

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